Outra narrativa que eu tive contato foi que o período militar não foi tão duro assim, e que só criminosos eram oprimidos, que no caso seriam a resistência armada, organizações de esquerda e progressistas, lideranças sindicais e etc. Não sou bem versado no período militar, mas entendo que nessa época não tinhamos as liberdades que temos hoje, como liberdade de expressão, de associação, de poder protestar pela permanência e conquista de direitos, proteção contra tortura, e etc; hoje em dia, trabalhar contra os interesses dos ricos não te torna, imediatamente, inimigo do Estado e nem cria ansiedade sobre “segurança nacional”.
Com esses dois relatos, não quero dizer que só o fascismo nega a memória histórica aos brasileiros, pelo contrário, a própria elite atual já faz isso em plena democracia por meio da instrumentalização do Estado, seja de forma direta, com lobby e jantares por trás das cortinas, ou indireta, regando a sociedade com suas ideias e princípios. O fascismo, simplesmente, vai além e tenta revisar a história a ponto de tornar figuras positivas da época em personagens obscuros. Não basta tentar esconder e evitar ao máximo nosso contato com os movimentos de resistência e rebeldia brasileiros, eles querem apresenta-los como negativos, como manchas na história.
Falta quanto tempo pra dizer que a escravidão não era tão ruim e que a escravidão moderna (claro que isso vai receber um verniz bem bonito) é a solução para o Brasil?
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