O fascismo do século 21 nega o direito à memória histórica.

Hoje entrei em contato com uma narrativa que se questiona o papel de Zumbi dos Palmares na luta anti escravista. Ela apresenta ele como apenas outro escravagista em vez de figura que teve uma papel relevante na luta pela liberdade dos negros, e ainda substitui ele pela princesa Isabel. Eu aprendi na escola que Palmares pressionava os escravagistas por meio da força e que negros fugiam para os quilombos; pensando agora, o quilombo, independente das contradições, era uma forma de organização social alternativa ao que se tinha na época.

Outra narrativa que eu tive contato foi que o período militar não foi tão duro assim, e que só criminosos eram oprimidos, que no caso seriam a resistência armada, organizações de esquerda e progressistas, lideranças sindicais e etc. Não sou bem versado no período militar, mas entendo que nessa época não tinhamos as liberdades que temos hoje, como liberdade de expressão, de associação, de poder protestar pela permanência e conquista de direitos, proteção contra tortura, e etc; hoje em dia, trabalhar contra os interesses dos ricos não te torna, imediatamente, inimigo do Estado e nem cria ansiedade sobre “segurança nacional”.

Com esses dois relatos, não quero dizer que só o fascismo nega a memória histórica aos brasileiros, pelo contrário, a própria elite atual já faz isso em plena democracia por meio da instrumentalização do Estado, seja de forma direta, com lobby e jantares por trás das cortinas, ou indireta, regando a sociedade com suas ideias e princípios. O fascismo, simplesmente, vai além e tenta revisar a história a ponto de tornar figuras positivas da época em personagens obscuros. Não basta tentar esconder e evitar ao máximo nosso contato com os movimentos de resistência e rebeldia brasileiros, eles querem apresenta-los como negativos, como manchas na história.

Falta quanto tempo pra dizer que a escravidão não era tão ruim e que a escravidão moderna (claro que isso vai receber um verniz bem bonito) é a solução para o Brasil?


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